Friday, January 13, 2006

Ela recorria sempre à doçura da recordação próxima dos finais de tarde na praia. Do encontro e depois da mistura da pele dos dois, que se tornava numa liga natural de impossível força e união. Ele contava-lhe as pestanas com a fixação de um minucioso coleccionador de ervanários. Gostava de as ver pousadas sobre a cara, como um astro de pontas soltas em quarto crescente. As camas onde dormiam, com o aroma quente que emanava das costas unidas, eram quadradas e cheias de luz, por força dos lençóis brancos.
Para além da paisagem das lagoas intocáveis que exploravam, eram as paisagens dos seus corpos que mais passatempos lhes davam à mente e às horas preguiçosas. A pele de areia macia e clara, os promontórios de imaginação onde era bom descansar a cabeça, a espuma nas pontas dos cabelos que apetecia provar.
E o mar, sempre o mar a chamá-los baixinho, a hipnotizá-los para a linha do horizonte em fogo e a prometer-lhes a profundidade dos seus sonhos.

Clepsidra 2006

5 Comments:

Blogger yogruteabafafome said...

se ha monentos em que o tempo pára esses são quando te leio

11:41 AM  
Blogger holeart said...

continua a tocar nas memorias...

12:07 AM  
Blogger ze_maria said...

Descansei um bocadinho nesta praia deitado. beijinho

5:11 PM  
Blogger Banido said...

Geografia dos corpos
Continentes banhados
pelo mesmo oceano de paixão.

7:18 AM  
Blogger Carolina said...

Que bem que escreve a Minha Linda!
-sardinheira-

8:15 AM  

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